Exercícios de Fixação de Sociolinguística

1)      Defina o que é comunidade lingüística.

2)      Explique o que se entende por variedade lingüística.

3)      Diga o que se entende por variação diatópica, diafásica e diastrática.

4)      Estabeleça as principais diferenças entre a sociolinguística e a lingüística inaugurada por Saussure.

5)      Teça comentários a respeito da norma culta, incluindo a explicação do conceito e como se dá sua formação em uma sociedade.

6)      Explique a correlação entre variação e mudança lingüística.

7)      O que se entende por variação estilística?

8)      Conceitue “uso categórico” e “variável linguística”.

9)      Explique o que é “hipercorreção”.

10)   (Questão retirada de estudo dirigido realizado pela Prof.ª Dr.ª Lucia Teixeira) Utilizando como exemplo as variantes “presença do –r final” / “ausência do –r final” para as formas de infinitivo dos verbos, explique um caso de variável morfológica.

11)   (Questão retirada de prova aplicada pela Prof.ª Dr.ª Lucia Teixeira) No trecho da canção de Adoniran Barbosa, percebe-se uma das características de todas as línguas: possuir variantes. Defina “variação linguística” e aponte os tipos de variações que podem ser observadas nas línguas. Retire exemplos do texto para embasar sua resposta.

“De tanto levá
frechada do teu olhá
Meu peito inté
Parece sabe o quê?
Tauba de tiro ao álvaro
Num tem mais onde furá”.

Fonte://letras.terra.com.br/elis-regina/101410/          Acessado em: 27/06/2011.

12)   (Questão retirada de prova aplicada pela Prof.ª Dr.ª Lucia Teixeira) O julgamento de que há variações lingüísticas “corretas” e “incorretas”, “melhores” e “piores” constitui um preconceito lingüístico. Desenvolva essa afirmação, apresentando argumentos convincentes.

Exercícios de Fixação de Psicolinguística Experimental

(Os exercícios a seguir foram retirados do capítulo “Psicolingüística experimental: focalizando o processamento da linguagem” de autoria de Márcio Martins Leitão, presente no livro “Manual de linguística” organizado por Mário Eduardo Martelotta.)

1) Com base na metodologia utilizada na psicolingüística experimental, responda:

a) O que caracteriza as técnicas experimentais on-line e as técnicas off-line? Exemplifique.

b) Por que as técnicas on-line são mais interessantes do que as off-line no que se refere aos estudos na área de processamento lingüístico?

2) Observe a estrutura sintática da frase ambígua abaixo e responda às perguntas:

Encontrei o amigo do porteiro que cantava no coral da escola.

a) Quais as duas interpretações possíveis?

b) Por que esse tipo de estrutura é relevante para os estudos de processamento sentencial?

A aquisição da linguagem falada no ser humano

ATENÇÃO! Este texto não possui caráter acadêmico.

(Texto elaborado por Stefani Malena Trunkle de Oliveira, graduada em Pedagogia, Especializada em Pedagogia Waldorf, atualmente trabalha como Professora Waldorf na escola “Jardim de Infância Margarida”)

“Conversa vai, conversa vem”; “jogar conversa fora”; “precisamos conversar”; “a conversa definitiva”; “ficar de papo para o ar”. Quantas expressões e situações, que dizem respeito à linguagem e comunicação, nos rodeiam! A linguagem oral é a maior fonte de comunicação do mundo adulto. É através dela que conversamos, explicamos, brigamos, passamos conhecimento, adquirimos conhecimento, conhecemos os outros, os outros nos conhecem, coordenamos situações, explicamos situações, e mil e outras possibilidades.

Mas nós, adultos, quase nunca paramos para pensar em uma coisa tão óbvia: um dia, todos nós não sabíamos falar! Todos nós, detentores da linguagem falada, nascemos pequeninos, indefesos, sabendo emitir uns poucos sons que mal nossa mãe sabia decifrar (é claro que nós valíamos de bons pulmões que nos ajudavam a fazer uma ótima comunicação na hora do choro). Esse pequenino ser que nasce tem o mundo para conhecer e, entre outras aquisições, está uma das mais sublimes: o aprendizado da fala. O que se dá nesse pequeno ser para “entrar” no mundo dos sons, nomes e palavras?

Eu, como mãe de dois exemplos recentes, apaixonada pela nossa língua, e professora de crianças que estão aprendendo a falar, posso lhes contar um pouco: Daniel, prestes a fazer quatro anos, é um tagarela. Fala perfeitamente o português, descobriu recentemente o mundo dos livros e adora brincar de misturar palavras e perceber como elas combinam ou ficam engraçadas juntas, ou estranhas, ou com rima etc. (isso sem ações pedagógicas!). Nina, um ano e oito meses, é a tagarela em cópia do irmão. Imita tudo o que ele fala, mas ainda com muitos erros de pronuncia (uma coisa engraçada e deliciosa de se escutar!), e muitas vezes ri das brincadeiras fonéticas do irmão sem entender nada.

Os dois passaram pela fase dura em que eu não sabia ao certo o que queriam, se choravam de fome, de dor, ou de manha, ou sabe-se lá. Por volta dos onze, doze meses de vida, começa-se a observar uma coisa linda e magnífica na criança: quando falamos com uma, ela para e olha atentamente os movimentos de nossos lábios e tenta reproduzir os mesmos movimentos com sua boca. É uma fase bem sutil que pode passar despercebida ao adulto distraído. Acredito que esse seja o primeiro despertar mais “consciente” para o mundo da fala.

Depois a criança começa a repetir sons monossílabos que correspondem a algo ou alguém: “mã” (mamãe), “pá” (papai ou comida), “au au” (cachorro). E em seguida, aumenta a construção das palavras: “mamá”, “papá”, nenê”; para depois: “nenê naná”, “mamá nenê”, “Nina papá” etc. E assim vai até a elaboração de uma frase mais completa.

Outra coisa importante desse caminho é quando a criança percebe que cada coisa tem um nome. Antes “au au” poderia ser o cachorro, o gato, o ursinho de pelúcia e até a pombinha que aparece voando e andando pelas ruas! De repente a criança se dá conta que cada coisa tem um nome e fica ávida por aprender todos eles. Lembro-me muito de meu filho nessa fase: ele perguntava vinte vezes ou mais por dia     . “Como chama?”. E apontava para o que queria saber, podendo ser várias vezes o mesmo objeto, como se quisesse se apropriar das coisas e das palavras. Para que todo esse caminho de aprendizado da fala seja adquirido corretamente, um ponto essencial é preciso ser observado: como é a fala e a postura do adulto acerca à criança? Como mãe, é fácil sucumbir a tentadora vontade de imitar aquela fala de bebê, tão engraçadinha, tão fofinha, ao falar com a criança. Mas se a criança ou bebê não escuta o correto, como conseguirá falar corretamente? Ao lidar com crianças, estamos atentos para a formação de um ser humano ao mundo e à autonomia? Vemos os bebês e crianças pequenas como seres perfeitos, inteligentes, dotados de total capacidade de, já bem cedo, entenderem tudo o que falamos de maneira clara e correta? Da mesma forma como falaríamos com um adulto? Lembrando: a aquisição da fala clara e correta é o pressuposto à aquisição de um pensar claro e correto. Talvez esse seja um dos motivos de tanta confusão no mundo dos adultos…

Enfim, lidar com crianças é o maior presente e o maior desafio que um ser humano adulto pode receber, pois há ali uma grande força de imitação de tudo o que fazemos, pensamos e sentimos, e também um germe misterioso de potencialidade que só iremos descobrir com o tempo, calma e muito amor.

Exercícios de Revisão 01

  1. A linguística inatista passou por dois momentos no que tange o entendimento sobre a gramática universal. Explique-os.
  2. Exponha as principais diferenças entre o Cognitivismo Construtivista e o Interacionismo Social.
  3. “Alguns linguistas dividem as fases de aquisição da língua em pré-linguísticas e linguísticas.” (V. Fromkin e R. Rodman, 1993). Em relação à fase do balbucio, apresente os dois pontos de vista que explicam porque ela é considerada ou não uma fase pré-linguística.
  4. Suponha que um linguista interessado em estudar o processo de aquisição da linguagem tenha um laboratório e deseja fazer uma pesquisa com um grande número de sujeitos, isolando os fatores e variáveis intervenientes em sua análise. Diga qual metodologia de pesquisa ele utilizou, pondo-a em contraponto com a outra.
  5. Exponha a principal diferença entre o ponto de vista culturalista e o nativista no que se refere à aquisição da linguagem.

Da boca dos bébés: a aquisição da linguagem pela criança – Victoria Fromkin e Robert Rodman

Capítulo que trata sobre as fases da aquisição da linguagem e outros aspectos pertinentes ao aprendizado e aquisição linguística.

Autores do capítulo: Victoria Fromkin e Robert Rodman

Livro: Introdução à linguagem

Link do capítulo: http://www.professores.uff.br/eduardo/fromkinerodman.pdf

Aquisição da Linguagem – Ester Mirian Scarpa

Capítulo que trata sobre as diferentes abordagens teóricas acerca da aquisição da linguagem.

Autora do capítulo: Ester Mirian Scarpa

Livro: Introdução à linguística: domínios e fronteiras.

Link do capítulo:
http://www.psicolinguisitca.ecaths.com/archivos/psicolinguisitca/Texto%206%20-%20Aquisicao%20da%20Linguagem%20(Scarpa).pdf

Louis Hjelmslev

(Texto elaborado por Matheus Trunkle – aluno de Letras da UFF)

O dinamarquês Louis Trolle Hjelmslev nasceu em 3 de outubro de 1899 em Copenhague, onde mais tarde, seria conhecido como um linguista renomado.

Com apenas trinta e dois anos de idade, fundou o Círculo Linguístico de Copenhague, um grupo fortemente influenciado pelo Estruturalismo, para, um ano depois, doutorar-se em filologia aplicada. Hjelmslev ficou fundamentalmente conhecido por ser precursor das modernas tendências da linguística, e propositor do termo Glossemático para designar o estudo e a classificação dos glossemas, as menores unidades linguísticas que podem servir se suporte a uma significação. E foi em 1935, junto do linguista Hans Jorgen Uldall, que Hjelmslev começou a elaborar a Teoria Glossemática, uma teoria que ele próprio designava como a verdadeira linguística, aquela capaz de abordar a língua com um todo autossuficiente e uma estrutura sui generis. Dois anos mais tarde, juntamente com o filólogo Viggo Bröndal, foi nomeado professor de linguística na Universidade de Copenhague e em 1939 fundou o jornal Acta Linguística, órgão da linguística estrutural. Uma das outras contribuições de Hjelmslev foi um esclarecimento sobre a ideologia científica. “Os elementos da estrutura linguística”, disse ele, “trazem à mente as entidades usadas na álgebra. Enquanto seguirmos as condições expressas, podemos representar as entidades algébricas como quisermos [porque a substância dos significantes pouco importa para a significação] (…)”. Ou seja, tanto para Saussure como para Hjelmslev, a função da escrita era puramente notacional, visava somente o registro das falas mentais do autor, e a única expressividade admitida era a linguística. Também rompeu com o comparativismo histórico seguido pelos linguistas dinamarqueses, pois, segundo ele, a linguagem é inseparável do homem e segue-o em todos os seus atos. Concebeu, assim, a linguagem verbal como uma prática impregnada de recursos musicais, todos decisivos para a consolidação do sentido geral do texto, realizando uma engenhosa manobra com os conceitos glossemáticos, chegando à música por um caminho inusitado, ou seja, pela expansão prosódica caracterizante, combinada à concentração fonemática constituinte.

Hjelmslev, com sessenta e seis anos de idade, morreu no dia 30 de maio de 1965 em sua cidade natal. Suas principais obras foram Principes de Grammaire Générale (1928), Omkring Sprogteoriens Grundlaeggelse (1943) e Sproget (1963), e seu trabalho foi fundamental para a construção da semiótica moderna.

BIBLIOGRAFIA:

Roman Jakobson

(Texto elaborado por Matheus Trunkle – aluno de Letras da UFF)

Imagem retirada do site: http://percepolegatto.wordpress.com/

Nascido dia 11 de outubro de 1896, filho de engenheiro químico e proeminente industrial, o moscovita Roman Osipovic Jakobson cresceu e conviveu com a intelectualidade russa anterior à Revolução. Desde pequeno revelou-se por demais interessado pelos estudos comparativos. Aos dez anos de idade, seu professor de gramática exigia dos alunos que entendessem os significados das flexões do russo. Porém, para o pequeno Jakobson, a exigência de seu professor e mestre não o deixava nem um pouco desanimado; aquilo era um exercício que fazia com entusiasmo. Elaborava longas listas anotando as várias significações como quem encontra os tesouros de sentido.

Mais tarde, com apenas dezoito anos, ele foi movido pela paixão dos estudos da poesia oral, assim como do conhecimento da poesia experimental da nova geração da poesia simbolista. Assim, por conseguinte, Jakobson amadureceria a ideia dos estudos interdisciplinares entre linguística e poética.

Um ano depois, ele e mais estudantes fundaram o Círculo Linguístico de Moscou. O objetivo era dar continuidade às pesquisas e sistematizar as descobertas sobre os problemas linguísticos da linguagem prática e poética. Originando-se do Círculo Linguístico de Moscou, em 1916, Jakobson, Victor Chklóvski, Boris Eikhenbaum, entre outros, iniciaram alguns encontros que definiriam os rumos da Sociedade de Estudos da Linguagem Poética, a Opoiaz na Universidade de Petersburgo. A atividade conjunta de críticos e criadores deu origem ao polêmico movimento chamado Formalismo Russo. Nele Jakobson participou ativamente, até os trabalhos formalistas caírem no descrédito dos adversários.

Além do Círculo de Moscou, ele participou também como fundador do Círculo Linguístico de Praga, enfatizando que o Círculo estava fundamental e estreitamente ligado às correntes contemporâneas da linguística ocidental e também da linguística russa: as realizações metodológicas da linguística francesa, a fenomenologia alemã e a síntese das escolas polonesa e russa. Jakobson definiu sua teoria da estrutura da linguagem em contraste com a de Saussure, explicitando que a considerava demasiadamente abstrata e estática. Assim, tratou as dicotomias saussurianas (langue/parole, sincronia/diacronia) com uma dialética, insistindo na estreita relação entre forma e significado, em uma situação de sincronia dinâmica.

Mudando-se de país a país devido aos regimes cruéis que aconteciam em sua época, Jakobson passou por diversas universidades atuando como professor de linguística (Universidade de Praga e de Harvard), deixando por onde passava, trabalhos de pura riqueza de pesquisa. Foi chamado de “o poeta da linguística” por Haroldo de Campos, sendo o criador das famosas funções de linguagem, entre elas figurando a função poética, e tendo feito, por exemplo, estudos sobre as obras de Edgar Allan Poe, Fernando Pessoa e Bertolt Brecht.

Jakobson faleceu aos 86 anos em Cambridge, Massachusetts, no dia 18 de julho de 1982, deixando como legado à linguística e à literatura, obras aclamadas como A Fonologia em Relação com a Fonética (1955) e Os Oxímoros Dialéticos de Fernando Pessoa (1968).

 BIBLIOGRAFIA:

Questão 1: O autor é um tradutor.

Certa vez um jornalista português, José Rodrigues dos Santos, entrevistou o premiado escritor José Saramago:

J.R.S. – Quando estamos a ler uma obra traduzida, estamos a ler o autor ou o tradutor?

Saramago – Eu creio que antes que chegue a essa tradução, já houve outra que é a do próprio autor. O autor é um tradutor.

(Trecho retirado do livro “A última entrevista de José Saramago” de José Rodrigues dos Santos).

Comente acerca das palavras de Saramago.

Língua – Vidas em Português


Sinopse:
Todo dia duzentos milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia a língua portuguesa renasce em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, portuguesas, guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por deuses muito mais antigos e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo para dizer certas coisas que nas outras não cabe.

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