Roman Jakobson

(Texto elaborado por Matheus Trunkle – aluno de Letras da UFF)

Imagem retirada do site: http://percepolegatto.wordpress.com/

Nascido dia 11 de outubro de 1896, filho de engenheiro químico e proeminente industrial, o moscovita Roman Osipovic Jakobson cresceu e conviveu com a intelectualidade russa anterior à Revolução. Desde pequeno revelou-se por demais interessado pelos estudos comparativos. Aos dez anos de idade, seu professor de gramática exigia dos alunos que entendessem os significados das flexões do russo. Porém, para o pequeno Jakobson, a exigência de seu professor e mestre não o deixava nem um pouco desanimado; aquilo era um exercício que fazia com entusiasmo. Elaborava longas listas anotando as várias significações como quem encontra os tesouros de sentido.

Mais tarde, com apenas dezoito anos, ele foi movido pela paixão dos estudos da poesia oral, assim como do conhecimento da poesia experimental da nova geração da poesia simbolista. Assim, por conseguinte, Jakobson amadureceria a ideia dos estudos interdisciplinares entre linguística e poética.

Um ano depois, ele e mais estudantes fundaram o Círculo Linguístico de Moscou. O objetivo era dar continuidade às pesquisas e sistematizar as descobertas sobre os problemas linguísticos da linguagem prática e poética. Originando-se do Círculo Linguístico de Moscou, em 1916, Jakobson, Victor Chklóvski, Boris Eikhenbaum, entre outros, iniciaram alguns encontros que definiriam os rumos da Sociedade de Estudos da Linguagem Poética, a Opoiaz na Universidade de Petersburgo. A atividade conjunta de críticos e criadores deu origem ao polêmico movimento chamado Formalismo Russo. Nele Jakobson participou ativamente, até os trabalhos formalistas caírem no descrédito dos adversários.

Além do Círculo de Moscou, ele participou também como fundador do Círculo Linguístico de Praga, enfatizando que o Círculo estava fundamental e estreitamente ligado às correntes contemporâneas da linguística ocidental e também da linguística russa: as realizações metodológicas da linguística francesa, a fenomenologia alemã e a síntese das escolas polonesa e russa. Jakobson definiu sua teoria da estrutura da linguagem em contraste com a de Saussure, explicitando que a considerava demasiadamente abstrata e estática. Assim, tratou as dicotomias saussurianas (langue/parole, sincronia/diacronia) com uma dialética, insistindo na estreita relação entre forma e significado, em uma situação de sincronia dinâmica.

Mudando-se de país a país devido aos regimes cruéis que aconteciam em sua época, Jakobson passou por diversas universidades atuando como professor de linguística (Universidade de Praga e de Harvard), deixando por onde passava, trabalhos de pura riqueza de pesquisa. Foi chamado de “o poeta da linguística” por Haroldo de Campos, sendo o criador das famosas funções de linguagem, entre elas figurando a função poética, e tendo feito, por exemplo, estudos sobre as obras de Edgar Allan Poe, Fernando Pessoa e Bertolt Brecht.

Jakobson faleceu aos 86 anos em Cambridge, Massachusetts, no dia 18 de julho de 1982, deixando como legado à linguística e à literatura, obras aclamadas como A Fonologia em Relação com a Fonética (1955) e Os Oxímoros Dialéticos de Fernando Pessoa (1968).

 BIBLIOGRAFIA:

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